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Entendendo a aspiração de medulaóssea (mielograma) e/ou biópsia demedula óssea
21 de outubro de 2020

Afinal, qual é o valor normal da ferritina?

Poucos exames geram tanta dúvida hoje quanto a ferritina.

Muitos laboratórios ainda colocam 15 ng/mL como limite inferior da normalidade. Ao mesmo tempo, nas redes sociais, alguns influenciadores defendem que a ferritina deveria ficar acima de 50, 70 ou até 100 ng/mL.

No meio dessa disputa, fica a pergunta que realmente importa: afinal, qual é o valor normal da ferritina

A resposta mais correta é: depende do contexto.

O que a ferritina mede?

A ferritina funciona como um marcador dos estoques de ferro do corpo. Quando ela cai, geralmente o organismo já está com pouca reserva de ferro.

O ferro participa da produção dos glóbulos vermelhos, mas não serve apenas para isso. Ele também tem papel importante na energia, nos músculos, no cérebro, na gestação, no desenvolvimento fetal e na qualidade de vida.

Por isso, uma pessoa pode ter deficiência de ferro mesmo antes de desenvolver anemia.

Esse ponto confunde muita gente. O hemograma pode estar normal, a hemoglobina pode estar normal, e ainda assim os estoques de ferro podem estar baixos.

Por que o limite de 15 é insuficiente?

Durante muitos anos, médicos e laboratórios usaram a ferritina abaixo de 15 ng/mL como principal critério para deficiência de ferro.

Esse valor tem uma vantagem: quando a ferritina está abaixo de 15, praticamente sempre existe deficiência de ferro.

Mas ele tem uma desvantagem importante: pode diagnosticar tarde demais.

Em outras palavras, se esperarmos a ferritina cair abaixo de 15 para reconhecer o problema, muitas pessoas com deficiência de ferro já sintomática podem passar despercebidas.

Esse debate ganhou força recentemente e foi tema de um consenso apresentado no encontro anual da American Society of Hematology,  no ano passado. A discussão central foi justamente se ainda faz sentido usar 15 ng/mL como limite principal ou se esse ponto de corte deixa muita gente sem diagnóstico.

Então 30 é o novo limite?

Para a maioria dos adultos, sim: ferritina abaixo de 30 ng/mL deve levantar forte suspeita de deficiência de ferro.

O consenso da ASH sugere usar 30 ng/mL, e não 15 ng/mL, como ponto de corte para diagnosticar deficiência de ferro em adultos e em pessoas que menstruam.    

Na prática, isso muda bastante a interpretação de resultados comuns.

Uma ferritina de 18, 22 ou 28 ng/mL pode aparecer como “normal” em alguns laboratórios. Porém, do ponto de vista clínico, esses valores já podem indicar estoque de ferro baixo.

E quando a ferritina deveria ser maior que 50?

Aqui precisamos ter equilíbrio.

Ferritina acima de 50 ng/mL não é uma meta obrigatória para todo mundo. Mas também não é um número sem fundamento.

Algumas pessoas precisam de uma reserva de ferro maior. Isso vale especialmente para quem tem menstruação intensa, sintomas sugestivos de deficiência de ferro, gestação, planejamento de gravidez, cirurgia programada ou sangramentos recorrentes.

Nessas situações, uma ferritina entre 30 e 50 ng/mL pode não ser suficiente.

O material apresentado no consenso da ASH reconhece que, em grupos de maior risco, como pessoas com sangramento menstrual intenso, sintomas, cirurgia próxima ou planejamento de gravidez, ferritina abaixo de 50 ng/mL pode ajudar no diagnóstico e nas decisões de tratamento.

Portanto, o valor de 50 não deve virar uma regra universal. Ele deve entrar na conversa quando os sintomas e o contexto clínico apontam nessa direção.

E a história da ferritina acima de 100?

Para a maioria das pessoas saudáveis, não existe uma recomendação geral de manter ferritina acima de 100 ng/mL.

Esse número aparece principalmente em outro cenário: inflamação.

A ferritina não sobe apenas quando existe muito ferro. Ela também pode aumentar em infecções, doenças autoimunes, câncer, doença renal crônica, obesidade, insuficiência cardíaca e outras doenças inflamatórias.

Nesses casos, uma ferritina “normal” ou até alta pode enganar. A pessoa pode ter ferro no corpo, mas não conseguir usá-lo bem.

Por isso, quando existe inflamação, o médico não deve olhar apenas a ferritina. A saturação de transferrina ajuda muito nessa interpretação.

Segundo o consenso da ASH, em adultos com anemia da inflamação, a deficiência de ferro pode aparecer com saturação de transferrina abaixo de 20% ou ferritina abaixo de 100 ng/mL.

Como interpretar na prática?

De forma simples:

Ferritina abaixo de 15 ng/mL quase sempre indica deficiência de ferro.

Ferritina abaixo de 30 ng/mL deve ser considerada deficiência de ferro na maioria dos adultos.

Ferritina entre 30 e 50 ng/mL pode ser insuficiente em pessoas com sintomas, menstruação intensa, gestação, planejamento de gravidez, pré-operatório ou outros fatores de risco.

Ferritina abaixo de 100 ng/mL pode ter importância em contextos de inflamação, mas deve ser avaliada junto com outros exames, principalmente a saturação de transferrina.

O mais importante: contexto

A melhor pergunta não é apenas: “minha ferritina está dentro do valor de referência?”

A pergunta mais útil é: “minha ferritina está adequada para mim?”

Entre o laboratório que ainda usa 15 como referência e a internet que transforma 100 em regra para todo mundo, existe um caminho mais seguro: interpretar a ferritina com critério, levando em conta sintomas, perdas de sangue, gestação, doenças inflamatórias e outros fatores individuais.

Se você tem cansaço persistente, queda de cabelo, menstruação intensa, falta de energia ou recebeu um resultado de ferritina “normal-baixa”, vale conversar com um hematologista.

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